Stanley Kubrick foi e continua a ser um dos maiores génios da história da sétima arte. Nunca é demais relembrá-lo e neste dia em específico faria 85 anos se ainda fosse vivo.
Por vezes penso nisso, em como seria se ainda se encontrasse vivo e no activo. Conheço muita gente que despreza o "Eyes wide shut" e que acha que a sua genialidade foi pelo cano abaixo. Eu sou de opinião contrária quanto ao seu último filme, que aliás é um dos meus predilectos entre os que visualizei da sua obra. Por isso acredito que ainda nos traria grandes obras. Pelo menos o "Napoleão" seria algo no mínimo interessante :)
Olá Rafael, nem mais, sou também da opinião que ele fechou com chave de ouro a carreira e a vida com o Eyes wide shut. Sabes eu tenho para mim que o desdém com que muitos encaram o filme pode ter que ver com o estigma do Tom Cruise e pelos ódios que foi gerando ao longo da sua vida ou das escolhas que fez para a sua vida. Sinceramente, não sei não, porque em termos de estética e motivo kubrickiano está lá tudo.
Título Original: Cannibal Holocaust Realização: Ruggero Deodato Argumento: Gianfranco Clerici Elenco: Robert Kerman; Gabriel Yorke; Francesca Ciardi; Perry Pirkanen
[Spoilers] Cerca de cinco anos depois da estreia de Salò, or the 120 Days of Sodom (1975), o terreno italiano volta a distribuir mais um filme-choque, que viria a ganhar um lugar de relevo na história da sétima arte. Várias décadas depois com uma censura muito menos restrita, ambos ainda se encontram banidos em inúmeros países por todo o mundo. Mas não é a mestria do filme de Pier Paolo Pasolini que pretendo aqui destacar.
Polémico. Chocante. Controverso. Visceral. Perverso. Crítico. Perturbador. Não é difícil atribuir tais adjectivos ao filme canibalista de Deodato. A tarefa realmente difícil passa por eleger o momento que cria maior incómodo para o espectador. Um leque de escolhas bastante alargado: uma mulher violada e arrastada pela lama como se de um suíno se tratasse; outra "simplesmente" empalada; a castraçã…
Quem diria que comer esparguete poderia conter o seu quê de perturbador? Ninguém ousa aliar o terror com o girar do garfo, mas The Killing of a Sacred Deerlá o faz. Tensão quase palpável, pelas garfadas de um Barry Keoghan a ter debaixo de olho. Ao falar em esparguete (raras as ocasiões), não há como não resgatar da memória a mítica refeição - nojenta, diga-se - que eleva Gummo no reconhecimento. O esparguete, o leite, o champô e o chocolate. Mescla impensável que é marca de água (suja) de Harmony Korine. Cena que não mais nos abandona. Ou porque não o prato de esparguete de A Clockwork Orange, célebre momento cujo desfecho tão bem se conhece? É favor acompanhar com vinho.
A comida, qual sub-género de terror, continua a saber demarcar-se. Não esquecer que foi igualmente em 2017 que o espectador se viu presenteado com a belíssima cena da tarte - sim, essa mesmo, na duração de trilogia - que catapulta A Ghost Story. Seja com esparguete ou tartes fúnebres, o incontestável passa pelo lug…
Máxima na ambiguidade, Caché faz aquilo que
quer do espectador. O ecrã de televisão sempre à espreita, qual janela aberta a
um mundo podre que lhes chega somente por via dos media. A violência é
constante adorno à caixa mágica, seja por dentro ou por fora - uma vez visto,
impossível afastar da memória o ecrã sujo de sangue em Funny Games.
Haneke faz questão em trazer a violência, uma e outra vez no curso da sua carreira, para o colo da classe média-alta. Destrói a bolha de relativa segurança que lhes pontua o privado. No plano aqui em destaque - a passividade de voyeur lida no recorrente olhar fixo da câmara -, Haneke faz questão de equacionar a possibilidade de violência dentro e fora do
pequeno ecrã que lhe ocupa o motivo de foco central. Em primeiro plano, o casal
protagonista que tenta descobrir o paradeiro do filho. Mais distante e entre
ambos, o ecrã - e não serve este como momentâneo e subtil protagonista? - que
dispõe a realidade do mundo lá fora. A violência no Médio Oriente …
De acordo, dos maiores génios e com certeza que se ainda fosse vivo ainda estava a fazer grandes filmes :)
ResponderEliminarPor vezes penso nisso, em como seria se ainda se encontrasse vivo e no activo. Conheço muita gente que despreza o "Eyes wide shut" e que acha que a sua genialidade foi pelo cano abaixo. Eu sou de opinião contrária quanto ao seu último filme, que aliás é um dos meus predilectos entre os que visualizei da sua obra. Por isso acredito que ainda nos traria grandes obras. Pelo menos o "Napoleão" seria algo no mínimo interessante :)
EliminarOlá Rafael, nem mais, sou também da opinião que ele fechou com chave de ouro a carreira e a vida com o Eyes wide shut. Sabes eu tenho para mim que o desdém com que muitos encaram o filme pode ter que ver com o estigma do Tom Cruise e pelos ódios que foi gerando ao longo da sua vida ou das escolhas que fez para a sua vida. Sinceramente, não sei não, porque em termos de estética e motivo kubrickiano está lá tudo.
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