Plano-sequência (#4): Le Révélateur (1968)
Philippe Garrel larga nas mãos do
espectador um filme de cariz experimental, cuja total compreensão parece de
alguma forma inatingível. Um filme mudo que apela à sua audiência com imagens
marcantes, incluindo nas mesmas símbolos universais. São muitos os planos-sequência
que poderiam ganhar destaque de forma a ilustrar o filme. Aquele que aqui se
protagoniza arranca com um ritmo acelerado com a câmara já em movimento.
Observa-se uma vedação de arame farpado no primeiro plano do enquadramento, a
qual se mantém presente na totalidade do plano. Um homem e uma mulher levantam
do chão uma criança chorosa. As mãos enlaçadas e a criança no colo transmitem os valores familiares e a necessidade de protecção que acorre daquele momento. Inicia-se a corrida, com os olhares sempre
lembrados a cobrir a retaguarda do espaço que gradualmente abandonam. Está
criado o palco onde as personagens podem trabalhar o tempo e o espaço. É
visível a associação com um campo de guerra. Uma banda-sonora germina im…