Ele até fez uns hambúrgueres...


Diz ele que até cozinhou uns hambúrgueres um dia quando a mulher estava doente. E ela mesmo assim não o aceita, imagine-se. Alguém a relembre que aquele que ali se desculpa - um dos maiores narcisistas da história do cinema - provavelmente teve de os descongelar primeiro. Não é de ânimo leve. Por vezes nem dá para retirar o plástico na totalidade, tal é que ficam aqueles bocadinhos entranhados na carne. Mas pronto Laura Linney, como até tens umas nomeações aos Óscares podes dar-te ao luxo de ser esquisita.

The Squid and the Whale é uma das melhores amostras de um casamento que finda e consigo arrasta as crias na malfadada influência. Há inclusive tempo e espaço para a pergunta: e o gato, com quem fica? O argumento de Noah Baumbach é imbuído de um à-vontade nas motivações e vias a seguir. A causa para a ruptura fica ao nosso critério, em consonância com as peculiaridades do marido que gradualmente corroem a cara-metade. Por cada nova observação soberana do homem, mecanismo de defesa que lhe camufla o fracasso, nasce deste lado um revirar de olhos. Relação que acusa um tremendo cansaço e que em momento algum pede justificações. Mais do que canto do cisne a um matrimónio, The Squid and the Whale é olhar de incompreensão daqueles que se vêem tomados de arrasto. A influência lá vive, lida nas entrelinhas de cada atitude de rebeldia ou despertar sexual.

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