Espera à porta que a mãe logo vem buscar-te


Mom and Dad chega como lufada de ar fresco, semeando a vontade para que se revisite uma e outra vez em busca da mesma diversão tresloucada e descomprometida. Afirmação bastante precoce, sem que o tempo lhe dite peso e medida, mas a verdade é que parece piscar o olho à possibilidade de culto. Histeria em massa que faz com que os pais se virem violentamente contra os filhos. Do mesmo ano e equivalente no flutuante espectro de emoções só me vem à memória um Lowlife com sangue Tarantino. Ambos lá ficam na certeza de terem arrancado saltos no assento, nunca por medo mas por êxtase. Mom and Dad faz esboçar o sorriso na cena da escola (!), tal é o delírio que ali se concebe. A partir daí não mais esmorece.

Casa a um Nicolas Cage em todo o seu esplendor ("Open this motherfucking door") e uma Selma Blair que consegue surpreender na subtileza de emoções. A banda-sonora é uma fusão de estilos que pontuam aqui e ali o intercalar do terror e da comédia com uma fluidez de louvar. Uma recta final abrupta que não chega a retirar mérito à viagem. Terreno um tanto ou quanto arriscado para o escrutínio dos dias que correm, Mom and Dad é um pequeno filme de instruções para a pílula da década seguinte.

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