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Ecrã de Haneke

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  Máxima na ambiguidade, Caché faz aquilo que quer do espectador. O ecrã de televisão sempre à espreita, qual janela aberta a um mundo podre que lhes chega somente por via dos media . A violência é constante adorno à caixa mágica, seja por dentro ou por fora - uma vez visto, impossível afastar da memória o ecrã sujo de sangue em Funny Games . Haneke faz questão em trazer a violência, uma e outra vez no curso da sua carreira, para o colo da classe média-alta. Destrói a bolha de relativa segurança que lhes pontua o privado. No plano aqui em destaque - a passividade de voyeur lida no recorrente olhar fixo da câmara -, Haneke faz questão de equacionar a possibilidade de violência dentro e fora do pequeno ecrã que lhe ocupa o motivo de foco central. Em primeiro plano, o casal protagonista que tenta descobrir o paradeiro do filho. Mais distante e entre ambos, o ecrã - e não serve este como momentâneo e subtil protagonista? - que dispõe a realidade do mundo lá fora. A violência no...

"Happy End" ou como reciclar toda a obra de Haneke

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  Happy End é filme-resumo da carreira de Michael Haneke. Ecoa Der siebente Kontinent na sobriedade do suicídio. Usa ainda do seu filme de estreia o dinheiro como temática corrosiva. Traz muito de Benny's Video para a adolescente que observa o mundo através do olho da câmara, numa ânsia do registo que a ambos tolda a vista e os torna mais frios ao valor de uma vida. Ainda que em Happy End não se passe das palavras ao acto, proporciona-se também aqui tempo de antena aos fetiches pouco convencionais que foram pauta a La Pianiste . A vigilância de Caché , exacerbada no pós-11 de Setembro, novamente a (des)construir a linha entre público e privado. Presente ainda Amour e o corpo envelhecido como carcaça que sufoca e limita. Happy End volta a embrenhar-se no confronto da classe média, não houvesse uma recorrente tentativa do austríaco em empreender um estudo sociológico no curso da sua filmografia. Torna-se mais evidente na recta final do filme, num contraste entre clas...

Plano-sequência: Code Inconnu (2000)

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Após um prólogo cujos códigos se apresentam como inacessíveis para uma mão cheia de indivíduos, o filme do austríaco Michael Haneke catapulta-se a si próprio com um brilhante plano-sequência. Aliás, dá-se no filme em questão uma hegemonia dos planos-sequência, notando-se um claro menosprezar da montagem como meio de produzir um significado maior. As questões que Haneke pretende abordar respiram na íntegra através da sua realização.  O plano-sequência a abordar introduz as várias problemáticas que recebem a atenção do ponto de vista do realizador. Dez minutos que se fazem passar com o auxílio de um travelling lateral , que acompanha o percurso de determinadas personagens numa avenida parisiense. Inicia-se com o deslocamento de uma personagem que se introduz no mundo do enquadramento pela margem esquerda. A câmara já se encontra à sua espera e imediatamente se iguala no trajecto, caminhando para a direita do enquadramento progressivo. Uma segunda personagem, desta feita masculina,...

A prenda de aniversário que falhou a Emmanuelle Riva

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A minha maior frustração nesta 85ª edição dos Óscares da Academia advém do prémio de Melhor Actriz. Emmanuelle Riva, que celebrou os seus 86 anos na noite da cerimónia, viu a sua representação em Amour  falhar em termos de reconhecimento pela Academia. Jennifer Lawrence acabou por sair vencedora pelo seu papel em Silver Linings Playbook , sendo esta a candidata mais fraca por entre as cinco nomeadas na categoria. Esta é claramente a minha opinião pessoal, que entra em discordância com a Academia e muitos críticos, mas Riva é a indiscutível vencedora.  Amour  teve o reconhecimento que lhe era prometido, ao sair galardoado com o prémio de melhor filme estrangeiro. Ver Michael Haneke a subir ao palco para receber a estatueta dourada foi sem dúvida um dos melhores momentos da noite.  Django Unchained terminou a noite com um Óscar em cada mão. Tanto Quentin Tarantino como Christoph Waltz foram justos vencedores.  Daniel Day-Lewis quebrou o recorde de maior n...

Janeiro em Filmes

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Um inicio de ano marcado na sua grande maioria por filmes do ano transacto. Pelo primeiro ano estou determinado em tentar visualizar todos os filmes nomeados para os Óscares da Academia. Antes que chegue o tão falado 24 de Fevereiro, vou-me perdendo pelos nomeados nas categorias que mais me interessam. E como tem sido uma enchente de filmes de 2012 para os meus olhos, vou ali ver uns quantos clássicos e já volto. Mas antes deixo a minha lista de filmes visualizados durante o mês que agora acaba. Seguem-se por ordem de preferência: Filme do mês : Amour (2012), de Michael Haneke - 9/10 Outros filmes visualizados :  Django Unchained (2012), de Quentin Tarantino - 9/10 Argo (2012), de Ben Affleck - 9/10 Life of Pi (2012), de Ang Lee - 8/10 The Pervert's Guide to Cinema (2006),  de Sophie Fiennes - 8/10 Lo imposible (2012), de Juan Antonio Bayona - 8/10 The Sessions (2012), de Ben Lewin - 8/10 Frankenweenie (2012), de Tim Burton - 8/10 The Invisible W...

Amour ao Poder

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Amour  continua a deixar a sua impressão digital por onde quer que passe. Na noite passada arrecadou mais um prémio para melhor filme estrangeiro, desta feita o Globo de Ouro. É com especial agrado que acompanho este percurso de vitórias do filme do austríaco Michael Haneke. Espero que se possa retirar daqui um prenúncio do arrecadar do prémio da Academia.  Não me posso pronunciar quanto a Argo , pois só o irei visualizar dentro de poucos dias. Não há dúvida de que Ben Affleck está em ascensão. A meu ver, tem maiores capacidades por detrás das câmaras. Um dos maiores mistérios perante toda esta corrida aos prémios que tem decorrido nos últimos meses é o reconhecimento da Adele pela música que interpreta para o filme Skyfall . Não me interpretem mal, não tenho nada contra a senhora e acho que tem uma voz bastante boa, mas com os ouvidos bem abertos apercebo-me de que provavelmente compôs a letra da música na sanita. As rimas são desnecessariamente forçadas e revelam tudo m...

Afinal ainda me importo com os Óscares...

Afinal ainda me importo com os Óscares, pois fiquei tremendamente satisfeito ao ver o Amour ser nomeado em cinco categorias. É uma surpresa vê-lo nomeado para melhor filme, visto estar igualmente nomeado para melhor filme estrangeiro. E o Michael Haneke recebe toda a distinção existente, por isso não esperam até 24 de Fevereiro e entreguem-lhe já a estatueta. E igualmente merecida foi a nomeação para melhor argumento original. Fico contente pela nomeação da Emmanuelle Riva pela sua representação estrondosa. Bem como a nomeação da Naomi Watts pelo filme The Impossible  e da Quvenzhané Wallis por Beasts of the Southern Wild .  À primeira vista choca-me o The Master  não estar nomeado para Melhor Filme, visto o destaque que tem recebido nos vários círculos de críticos nos últimos meses. Ainda não tive oportunidade de ver o filme, por isso não me posso pronunciar sobre a qualidade do mesmo. Não compreendo a total ausência de The Dark Knight Rises  nas categorias t...

A arte dos posters (XV)

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Amour (2012), Michael Haneke