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Indie Lisboa '13: Metamorphosen

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O alemão Sebastian Mez tinha em mãos uma tarefa difícil, filmar uma ameaça invisível. O seu filme de final de curso pega num tema pouco divulgado pelos meios de comunicação social, fornecendo ao espectador o contexto histórico e visual das áreas em questão.  Ficando apenas atrás de Chernobyl e Fukushima, Mayak é conhecido como o complexo industrial que se tornou palco de um dos maiores desastres nucleares que pintam a história da humanidade. Em 1957, quase 100 toneladas de desperdícios tóxicos são libertados, contaminando grande parte das áreas circundantes. Apesar das inúmeras mortes e sequelas a longo prazo, o governo soviético ocultou o incidente durante 30 anos, contribuindo para o conhecimento empobrecido do público em geral.  Actualmente, o realizador tem de se conformar a filmar o megalómano incidente de forma mais contida, focando-se no visível, os efeitos que ainda permanecem. Nem mesmo a central nuclear tem direito a um plano mais aproximado, visto que a autor...

Abril em Filmes

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Abril ficou marcado pela visualização de uma catrefada de episódios. Séries novas ou simplesmente manter-me a par das que que perderam o gás. Acabei por não ver tantos filmes quanto o inicialmente planeado. Ainda assim, marquei presença em algumas sessões importantes da décima edição do Indie Lisboa.  Um debate sobre fotografia no cinema, no âmbito do festival, revelou-se pouco produtivo e desinteressante. Dei de caras com o mundo de Patrick Jolley, que ainda me assola à mente com a sua peculiaridade. Shirley - Visions of Reality e Leviathan foram agradáveis surpresas, sendo este último uma experiência única numa sala de cinema.  Fora do circuito do festival, debrucei-me mais aprofundadamente no cinema de Tsai Ming-liang, sem mais uma vez ficar desiludido.  Tenho como hábito eleger o melhor filme visualizado no período mensal. Este mês vejo-me bastante dividido nessa eleição. De um lado, Once Upon a Time in the West (1968) faz questão de se reavivar ...

Indie Lisboa '13: Encontros e Desencontros

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Colectânea de cinco curtas enquadradas na secção "Cinema Emergente" que me ocuparam o inicio da noite. Não havendo nenhum que me tenha deixado boquiaberto, Feral e Plutão foram agradáveis surpresas, em especial este último.  A sessão iniciou-se com uma curta-metragem intitulada Imaculado pelas mãos do realizador Gonçalo Waddington. Um produto fílmico que nos traz uma rotura à ordem das coisas, ao apresentar um homem grávido. O mais interessante foi a subtileza através da qual esta peculiaridade nos foi apresentada. Por outro lado, esperava um maior aprofundamento do protagonista de forma a entendermos se algo está na origem de uma ânsia tão grande de ter um filho. Um argumento simples que merecia um melhor tratamento. O final é, a meu ver, ambíguo e decorrente desse aspecto resulta mais um ponto a seu favor. 5/ 10 Seguiu-se a única animação por entre o leque de escolhidos, Feral de Daniela Sousa. Uma animação de requinte que despreza uma caracterização mais a...

Porque os trailers também merecem (X)

Por vezes podem revelar demasiado e estragar qualquer surpresa que pudesse advir da visualização do filme. Podem ser manipulados de forma a dar entender outro propósito sobre o filme. Podem chamar um espectador ou de certa forma repeli-lo. Mas é inegável que um trailer é um pedaço de montagem importante na consciencialização da população para um determinado filme.  O caso que aqui resolvi destacar trata-se de um projecto elaborado pelas mãos de Joana Rodrigues. Da sua mente nasce Trailers de Não-Filmes , um projecto que agrega três curtas que transmitem um certo senso de originalidade. Tive a oportunidade de ver a primeira curta-metragem intitulada Natureza Morta no âmbito do Indie Lisboa  e foi uma agradável entrada para a longa-metragem que me fizera deslocar até à cinemateca.  Um projecto que surge a partir de um financiamento nacional deficiente. Ideias que se sentem na realizadora como urgentes de serem libertas e este projecto acaba por ser o meio a usar. Sem d...

Indie Lisboa '13: Burn (2001) + Sugar (2005)

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Este quinto dia da décima edição do festival sagrou-se como o primeiro a um nível mais pessoal e educou-me o olhar com a descoberta do trabalho dos cineastas Patrick Jolley e Reynold Reynolds. Sessão que integrou o programa dedicado ao primeiro e que foi apresentada por Linda Quinlan. E passo a citar algumas das palavras desta, usadas em jeito de definição da (curta) obra de Jolley:  "(...) It represents an inner world...unsettling but quite familiar..." Após estas palavras, a sessão iniciou-se com Burn , uma curta-metragem que me conseguiu fascinar, contrariamente ao acompanhamento de longa duração que se lhe sucedeu.  Fogo. Labaredas que tudo consomem no decorrer do seu sedento percurso. Uma força da natureza que não deixa ninguém indiferente. Movimentos, paletes de cores e cheiros que são como símbolos universais. O ser humano reconhece e responde quase que de forma imediata a este perigo exemplar. Uma sensação de medo que se encontra impregnada no senso comum. Ma...