A vida nos subúrbios

[Spoilers] Uma bela cena que preenche a história do cinema. Refiro-me à sequência de abertura de Blue Velvet (1986), o filme simbólico e surrealista de David Lynch. Começa com uma leve transição entre os planos, revelando o ambiente vivido nos subúrbios. O slow-motion é usado de forma a mistificar o local com a calma que lhe é inerente. Tudo aparenta ocupar um tempo e um espaço de forma perfeita, levando o espectador a idealizar o local. Segundos depois dos créditos iniciais dá-se a morte que catapulta a história. Em seguida a câmara ocupa um lugar mais sujo e degradante, ao embrenhar-se por entre a relva até aos limites do solo. Um corpo outrora vivo e a embelezar o cenário de Lynch não será mais do que alimento depois de enterrado. Um submundo sedento que aguarda o protagonista, o filho do homem que perde a vida nestes minutos iniciais. Por detrás da fachada perfeita dos subúrbios, encontra-se uma podridão prestes a ressurgir. A versão de Bobby Vinton da música que empresta o nome a esta obra, faz toda a diferença. Sem a mesma, a cena não adquiria o sentido enigmático que tanto augura. Imagem e som numa perfeita simbiose. 

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