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Plano-sequência (#4): Le Révélateur (1968)

Philippe Garrel larga nas mãos do espectador um filme de cariz experimental, cuja total compreensão parece de alguma forma inatingível. Um filme mudo que apela à sua audiência com imagens marcantes, incluindo nas mesmas símbolos universais.  São muitos os planos-sequência que poderiam ganhar destaque de forma a ilustrar o filme. Aquele que aqui se protagoniza arranca com um ritmo acelerado com a câmara já em movimento. Observa-se uma vedação de arame farpado no primeiro plano do enquadramento, a qual se mantém presente na totalidade do plano. Um homem e uma mulher levantam do chão uma criança chorosa. As mãos enlaçadas e a criança no colo transmitem os valores familiares e a necessidade de protecção que acorre daquele momento. Inicia-se a corrida, com os olhares sempre lembrados a cobrir a retaguarda do espaço que gradualmente abandonam. Está criado o palco onde as personagens podem trabalhar o tempo e o espaço. É visível a associação com um campo de guerra. Uma banda-sonora germ...

A melodia dos pistoleiros

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Um olhar que aponta o rumo a tomar pela câmara. Outro que devolve a tensão sentida no ar. Olhares que tanto dizem na sua mais pura essência. Olhares que antecipam um instante que pode catapultar toda uma sucessão de acontecimentos. A câmara enquadra o pormenor quase indistinguível do alcançar da arma. Uma dúzia de dedos que se exigem tão cautelosos quanto rápidos. A antecipação mostra-se como um momento deveras crucial e nela reside a verdadeira prova do valor de cada um. Olhares que batalham nos meandros de um deserto árido. Um jogo entre close-ups  e planos gerais, que nos aproximam e distanciam de um momento quase íntimo. O barulho das cigarras a preencher a imensidão do vazio e os cavalos prontos a relinchar ao som das balas disparadas. E chega o dito instante. Aquele milésimo de segundo que já se encontrava em processo de germinação na mente do espectador. Tudo graças à extensa antecipação. Corpos caem e passam a ser não mais do que meros invólucros do vazio. Um tiro que...

A muleta da imagem (IV)

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Se há compositor que dispensa qualquer tipo de apresentações esse é o lendário Ennio Morricone. Detentor da mestria exibida na banda-sonora de Nuovo Cinema Paradiso (1988) , volta a fazer-me sentir arrepiado com as suas faixas sonoras no filme Once Upon a Time in the West (1968) . O tema que envolve a protagonista Jill (Claudia Cardinale) é de uma beleza incrível. O único ponto de vista feminino na obra de Sergio Leone espelhado de uma forma perfeita. Notas que roçam o irreal. Ennio Morricone deixa-me mais uma vez boquiaberto. 

Miscelânea III (Kubrick)

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[ HAL's shutdown ]  HAL: I'm afraid. I'm afraid, Dave. Dave, my mind is going. I can feel it. I can feel it. My mind is going. There is no question about it. I can feel it. I can feel it. I can feel it. I'm a... fraid. Good afternoon, gentlemen. I am a HAL 9000 computer. I became operational at the H.A.L. plant in Urbana, Illinois on the 12th of January 1992. My instructor was Mr. Langley, and he taught me to sing a song. If you'd like to hear it I can sing it for you.  Dave Bowman: Yes, I'd like to hear it, HAL. Sing it for me.  HAL: It's called "Daisy."  [ sings while slowing down ]  HAL: Daisy, Daisy, give me your answer do. I'm half crazy all for the love of you. It won't be a stylish marriage, I can't afford a carriage. But you'll look sweet upon the seat of a bicycle built for two.  (2001: A Space Oddissey, 1968) " Suddenly, I viddied what I had to do, and what I had wanted to do, and that was to do myself in; ...