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Better on tv than on the streets

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O título desta divagação ilustra a mais importante linha de diálogo proferida pelo protagonista de Videodrome (1983) . Até que ponto é justificável um acto dito imoral poder ter o seu destaque no ecrã? Imergir num filme do Cronenberg é como comprar um bilhete só de ida para o inferno da mente humana. Removida a camada superficial adornada de violência, o espectador descobre nos seus filmes questões fundamentais que rodeiam a essência humana. Distribui numa bandeja obras que levam o indivíduo a questionar-se a si mesmo, tentando afastar-se do conjunto para avaliar a sua posição integrante perante o mesmo. Faz ressurgir desejos reprimidos que aparentam não ter lugar numa sociedade civilizada.  "The eye is the window of the soul" Diariamente consumimos imagens, na grande maioria das vezes de forma inconsciente. Integram o nosso dia-a-dia e acabam por ser banalizadas. Gradualmente a noção de realidade esbate-se e é remetida para segundo plano. O advento do realismo tr...

Crítica: Fahrenheit 9/11 (2004)

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Argumento: Michael Moore Realização: Michael Moore [Spoilers] A 11 de Setembro de 2001, um acontecimento monumental nos Estados Unidos da América mudou o Mundo. A Humanidade sofreu um abanão social e político que viria a ter as mais variadas repercussões até aos dias de hoje. A 31 de Maio de 2013, a um nível altamente pessoal, algo voltou a mudar na minha existência. Não sei precisar o quê, mas apenas posso afirmar com toda a certeza que o Michael Moore se pode eleger como o responsável. Estreado em 2004 perante um público em Cannes que o recebeu com uma salva de palmas de uma módica longevidade de vinte minutos, este documentário apenas mereceu a minha visualização neste presente dia. Muitas foram as oportunidades de o ver e muitas foram as oportunidades dispensadas. De qualquer das formas, dou graças de não o ter visto aquando da sua estreia em 2004, pois não me parece que teria sido muito receptivo a toda a sua diabólica temática com apenas 14 anos.  08h46min: prime...

Crítica: The Night Porter (1974)

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Título Original: Il Portiere di notte Argumento: Liliana Cavani Realização: Liliana Cavani Elenco: Dirk Bogarde; Charlotte Rampling [Spoilers] Viena. 13 anos se passaram desde os acontecimentos monumentais da 2ª Guerra Mundial. A sociedade retoma gradualmente os seus eixos padronizados, com a memória impregnada de algo que mudou para sempre a história da humanidade.  Outrora oficial SS. Actualmente porteiro de um hotel. É assim que descobrimos o protagonista, alguém que se encontra em plena procura pelo esquecimento. Encontra-se a meio de um processo do qual espera poder sair eternamente ileso de todos os crimes cometidos no passado, entre os quais se encontram várias ordens de execução. O seu novo cargo visa a disponibilidade imediata a clientes, estes que abusam do poder e da superioridade com que se investem. Outrora oficial precursor de crimes horrendos. Actualmente porteiro submisso aos caprichos de terceiros. Certo dia, o seu processo de esquecimento é interr...

Crítica: Holocausto Canibal (1980)

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Título Original: Cannibal Holocaust Realização: Ruggero Deodato Argumento: Gianfranco Clerici Elenco: Robert Kerman; Gabriel Yorke; Francesca Ciardi; Perry Pirkanen [Spoilers] Cerca de cinco anos depois da estreia de Salò, or the 120 Days of Sodom (1975) , o terreno italiano volta a distribuir mais um filme-choque, que viria a ganhar um lugar de relevo na história da sétima arte. Várias décadas depois com uma censura muito menos restrita, ambos ainda se encontram banidos em inúmeros países por todo o mundo. Mas não é a mestria do filme de Pier Paolo Pasolini que pretendo aqui destacar.  Polémico. Chocante. Controverso. Visceral. Perverso. Crítico. Perturbador. Não é difícil atribuir tais adjectivos ao filme canibalista de Deodato. A tarefa realmente difícil passa por eleger o momento que cria maior incómodo para o espectador. Um leque de escolhas bastante alargado: uma mulher violada e arrastada pela lama como se de um suíno se tratasse; outra "simplesmente" em...

Crítica: The Killers (1956)

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Título Original: Ubiytsy Realização: Andrei Tarkovsky; Aleksandr Gordon; Marika Beiku Argumento: Andrei Tarkovsky; Aleksandr Gordon; (a partir do conto de Ernest Hemingway) [Spoilers] O conto de Hemingway a partir do qual se alimenta esta curta-metragem, data de 1927 mas só chega à União Soviética vários anos mais tarde, tal como toda a sua obra. Tarkovsky tentava estar sempre a par do que se fazia na literatura e no cinema, de forma a absorver os movimentos artísticos que fervilhavam à sua volta. A história do escritor americano, na altura ainda vivo, despertou-lhe interesse de forma a adaptá-la na forma de um pequeno filme. Apesar de estar atrás das câmaras com mais dois colegas num mesmo nível de importância, muitas das suas sugestões foram bem aceites de forma a integrarem o resultado final.  O filme centra-se num pequeno restaurante, cujo dono serve dois homens que acabam por actuar como gangsters  em busca de uma vítima específica para matar. Decidem esperar...

Crítica: Pietà (2012)

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Argumento e Realização: Kim Ki-duk Elenco: Lee Jung-jin; Jang Mi-sun. [Spoilers] Era uma vez um homem que emprestava dinheiro a pessoas que tudo dariam para o ter. Era uma vez um rapaz que cobrava as dívidas. Era uma vez uma criança que regrediu até à idade da inocência ao ver a sua mãe regressar trinta anos após o ter abandonado. O nosso protagonista Kang-do (Lee Jung-jin) vê a sua mãe regressar para lhe dar o amor que sempre teve em falta. Inicialmente relutante perante a aproximação da mulher que o abandonou segundos após o ter trazido ao mundo, acaba por lhe dar uma oportunidade. É interessante como na maioria dos filmes o espectador tenta analisar a personagem e os seus respectivos actos na esperança de atribuir alguma culpa às suas origens, à forma como foi criado. E aqui nem necessita de o fazer, pois a mãe aparece para relembrar o filho e o espectador de que a sua ausência é a verdadeira catalisadora do monstro que se gerou. E é precisamente com esse ponto de vi...

Crítica: The Last Laugh (1924)

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Título Original: Der letzte Mann Realização: F.W. Murnau Argumento: Carl Mayer [Spoilers] Muitos teóricos e historiadores que se debruçam sobre a sétima arte afirmam que algo se perdeu com o advento do primeiro filme sonoro em 1927. A nova possibilidade de transmitir uma ideia através do recurso a diálogos sincronizados com o som traria também uma conotação negativa. Perante tal possibilidade, surgiria o facilitismo das histórias e uma certa preguiça em inovar através da imagem. Uma nova mentalidade surgia, na qual a imagem não era mais o principal meio através do qual se contaria uma história. Confesso que cada vez percebo melhor a ideia dessa tal perda. E pérolas como este The Last Laugh  fazem-me ter orgulho no cinema mudo, nestes primórdios da sétima arte tal como a conhecemos hoje. Para uma maior intensificação da experiência, visualizei este filme alemão sem qualquer som. E por esse mesmo motivo, não posso opinar sobre a banda-sonora composta especialmente para aco...

Crítica: César deve morrer (2012)

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Título Original: Cesare deve morire Realização: Paolo e Vittorio Taviani Argumento: Paolo e Vittorio Taviani  Elenco: Salvatore Striano; Cosimo Rega; Giovanni Arcuri.  [Spoilers] Um grupo de indivíduos escolhidos para representar em palco a peça de William Shakespeare Júlio César . Uma premissa que pareceria simplista obstante o facto de serem reclusos a encarnar as personagens. É precisamente nesse aspecto que reside a alma deste filme. É-nos fornecida a informação dos crimes ou infracções que os puseram ali em primeiro lugar e cabe ao espectador decidir com que óculos observa estes prisioneiros moldados em personagens. É interessante a posição que a câmara adopta no casting, ao oferecer-nos um enquadramento unicamente focado na tentativa de representação de cada um dos reclusos. Como se durante uns minutos o realizador nos quisesse fazer esquecer dos feitos destes homens e do ambiente onde nos encontramos. E quase que inevitavelmente optamos por ignorar que...

Crítica: Alps (2011)

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Título original: Alpeis Realização: Giorgos Lanthimos Argumento: Efthymis Filippou; Giorgos Lanthimos. Depois de  Dogtooth (2009) , o reconhecido sucesso de Giorgos Lanthimos por entre a crítica especializada, o realizador tenta repetir a façanha em 2011. E para tal parece embrenhar-se numa fórmula que ele próprio tem vindo a definir e que aparenta ser a sua assinatura. Mas será que resulta? Creio que sim, mas num patamar claramente inferior. No meu percurso por esta estrada do cinema, Dogtooth teve o condão de apresentar o cinema grego no seu expoente máximo. Fiquei deliciado com o evidente clima bizarro em que se inseria aquele argumento extremamente bem cuidado. Vibrei com a presença da câmara de Lanthimos. E no final queria mais, muito mais. E foi com grande expectativa que aguardei a sua próxima obra, a mesma sobre a qual aqui me debruço.  Aqui voltamos a ter um argumento igualmente delicado e com tempo dedicado a diálogos que normalmente são rotulados de...

Crítica: Goodbye, Dragon Inn (2003)

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Título Original: Bu san Realização: Tsai Ming-liang Argumento: Sung Hsi; Tsai Ming-liang Elenco: Lee Kang-sheng; Chen Shiang-chyi; Mitamura Kiyonobu [Spoilers] A última projecção num velho cinema localizado em Taipei. Contabilizados na tela encontram-se os minutos que precedem o fecho das portas. Os assentos pobremente ocupados naquela que se revela como uma boa reflexão sobre a essência do cinema.  E é precisamente com esta premissa que me embrenho no mundo de Tsai Ming-liang . Apesar de se pintar como o primeiro que assisto da sua filmografia, vislumbro uma certa noção estética proveniente de várias influências, que o colocam numa posição competente para poder proclamar que se insere no cinema de autor. A ausência quase absoluta de diálogos. Planos fixos de duração bastante elevada. Ritmo arrastado que proporciona uma noção perfeita de tempo e espaço. Consegue transformar um espaço banal num local habitável pelo espectador. A última sessão especial é dedicada a...

Crítica: Dreams (1990)

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Título Original: Yume Argumento e Realização: Akira Kurosawa Elenco: Akira Terao; Chishu Ryu; Martin Scorsese. [Spoilers] A 11 de Maio de 1990 estreava no Festival de Cannes o antepenúltimo filme de Akira Kurosawa perante uma recepção um tanto ou quanto recatada. Dreams , tal como o próprio nome indica, apresenta ao espectador o mundo dos sonhos. Mas estes não se escondem em anonimato, pois representam um conjunto de oito sonhos do próprio realizador. E por ser um filme tão pessoal, acabamos por não exigir um produto com as arestas devidamente limadas. Afinal de contas tratam-se de sonhos, produtos do nosso inconsciente.   Poucos seriam os realizadores a conseguir tal proeza. A proeza de envolver por completo os espectadores com um espaço e um tempo tão pessoais. Mas Kurosawa consegue-lo, através de um argumento bem estruturado, que atribui uma determinada ordem consciente a um produto um tanto ou quanto incoerente. Uma selecção dos sonhos que a sua mente empreendeu no...

Crítica: Wreck-It Ralph

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Realização: Rich Moore Argumento: Rich Moore; Jim Reardon; Phil Johnston; Jennifer Lee Elenco: John C. Reilly; Jack McBrayer; Jane Lynch; Sarah Silverman [Spoilers] Um filme de animação pensado para um público-alvo claramente mais amplo do que as habituais crianças e adolescentes. Obviamente que esse mesmo leque habitual de espectadores aprecia o filme mediante todo o seu espectáculo visual e sonoro que cobre uma premissa com contornos bastante originais. Mas na busca por uma apreensão menos superficial, o 52º filme dirige-se ao espectador mais adulto na esperança de que este o preencha com a melancolia que sente ao visualizar tantas personagens reconhecíveis. As reuniões dos “Bad-Anon” glorificam o argumento com linhas de diálogo cómicas e sinceras, tornando-as nalgumas das cenas de maior destaque do filme. Estes vilões não são de alguma forma anónimos e é quase impossível o espectador não esboçar um sorriso ao identificar cada um deles: Bowser, o antagonista da saga ...

Crítica: O Mentor (2012)

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Título Original: The Master Argumento e Realização: Paul Thomas Anderson Elenco: Joaquin Phoenix; Philip Seymour Hoffman; Amy Adams. [Spoilers] Freddie Quell (Joaquin Phoenix), veterano da Segunda Guerra Mundial, tenta ajustar-se à sociedade do pós-guerra. De tantos anos em alto-mar advém uma obsessão por sexo, um das questões combatidas ao longo do filme. Apresenta claros sinais de stress pós-traumático, acabando por se destacar numa sociedade organizada e rotulada de normal. A certa altura o destino fá-lo cruzar-se com Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), aquele que se viria a tornar o seu mentor.  "I have unlocked and discovered a secret to living in these bodies that we hold. The secret is laughter." Dodd  afirma-se como o cabecilha de uma corrente filosófica intitulada de The Cause . Entramos com a personagem de Joaquin Phoenix neste mundo um tanto ou quanto peculiar. Apesar de se esconder por detrás de uma óptima interpretação, a personagem de S...

Crítica: Safety Not Guaranteed (2012)

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Realização: Colin Trevorrow Argumento: Derek Connolly Elenco: Aubrey Plaza; Mark Duplass; Jake Johnson. [Spoilers] E se a oportunidade de recuar no tempo fosse mais do que um mero parágrafo na ficção científica?  A premissa do filme pode ser observada no poster do filme, onde se salienta unicamente o anúncio que funciona como ponto de partida para estas personagens. Três colaboradores de uma revista são atraídos pelo anúncio para entrevistar o seu remetente. Um ponto de partida bem definido que se pode proclamar de original. Não desilude a cumprir o objectivo. Simplesmente não consegue ir mais além do que um filme competente. O trio de personagens que acompanhamos desde o inicio é interessante na medida em que espelham pessoas que se encontram estagnadas no tempo sem conseguirem avançar. Duas personagens à margem da sociedade dita de normal, que se apaixonam. Foi com interesse que observei a gradual aproximação entre as personagens da Aubrey Plaza e do Mark Duplass...