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A arte dos posters (XLVI)

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Poster alusivo a Offret (1986) , um dos melhores filmes do grandioso Andrei Tarkovsky. Foi igualmente o seu último filme, longe da terra natal que lhe caracterizara o início de carreira. E que belo testamento deixou aos aficcionados pela sétima arte. O poster russo reúne os vários elementos presentes no filme, nomeadamente a árvore, a casa e a mesa onde se desenrola. Destaca ainda os vários indivíduos e a solidão espelhada no corte. Simples? Sem dúvida. Ainda assim magnífico e consciente da semente do filme.

Plano-sequência (#3): Nostalghia (1983)

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Alguns minutos antes dos planos finais, Tarkovsky entrega nesta sua sexta longa-metragem um dos mais belos planos-sequência da história da Sétima arte. A acção desenrola-se de forma subtil, apoiada num cenário natural. O escritor protagonista tem apenas um objectivo: percorrer a totalidade da piscina drenada sem perder a chama da vela durante o percurso. Inicia o acto pela margem direita do enquadramento, à qual retorna sempre que a chama se extingue e necessita de recomeçar. Durante o acto a chama extingue-se por duas vezes, sendo igualmente duas as vezes que o escritor efectua o percurso inverso da esquerda para a direita. A câmara limita-se a acompanhar o corpo que enquadra, recorrendo a um travelling lateral para cobrir todos os seus passos. Mas deixa igualmente uma distância razoável relativamente ao sujeito filmado, entregando assim o tempo e espaço necessários à sua performance . Descabido rotular tal desempenho como uma performance ? Afinal de contas, o espectador funciona com...

Crítica: The Killers (1956)

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Título Original: Ubiytsy Realização: Andrei Tarkovsky; Aleksandr Gordon; Marika Beiku Argumento: Andrei Tarkovsky; Aleksandr Gordon; (a partir do conto de Ernest Hemingway) [Spoilers] O conto de Hemingway a partir do qual se alimenta esta curta-metragem, data de 1927 mas só chega à União Soviética vários anos mais tarde, tal como toda a sua obra. Tarkovsky tentava estar sempre a par do que se fazia na literatura e no cinema, de forma a absorver os movimentos artísticos que fervilhavam à sua volta. A história do escritor americano, na altura ainda vivo, despertou-lhe interesse de forma a adaptá-la na forma de um pequeno filme. Apesar de estar atrás das câmaras com mais dois colegas num mesmo nível de importância, muitas das suas sugestões foram bem aceites de forma a integrarem o resultado final.  O filme centra-se num pequeno restaurante, cujo dono serve dois homens que acabam por actuar como gangsters  em busca de uma vítima específica para matar. Decidem esperar...

Sculpting in Time (II)

Neste que se proclama como sendo o Dia Mundial da Poesia, deixo o devido destaque a um grande poeta soviético. Falo de Arseny Tarkovsky, pai do mestre Andrei Tarkovsky.  Eurydice A person has one body, Singleton, all on its own, The soul has had more than enough Of being cooped up inside A casing with ears and eyes The size of a five-penny piece And skin—just scar after scar— Covering a structure of bone. Out through the cornea it flies Into the bowl of the sky, On to an icy spoke, To a wheeling flight of birds, And hears through the barred window Of its living prison-cell The crackle of forests and corn-fields The trumpet of seven seas. A bodyless soul is sinful Like a body without a shirt— No intention, nothing gets done, No inspiration, never a line. A riddle with no solution: Who is going to come back After dancing on the dance-floor Where there's nobody to dance? And I dream of a different soul Dressed in ot...

Sculping in Time

"We've come to the end of the day: let us say that in the course of that day something important has happened, something significant, the sort of thing that could be the inspiration for a film, that has the makings of a conflict of ideas that could become a picture. But how did this day imprint itself on our memory?  As something amorphous, vague, with no skeleton or schema. Like a cloud. And only the central event of that day has become concentrated, like a detailed report, lucid in meaning and clearly defined. Against the background of the rest of the day, that event stands out like a tree in the mist. (Of course the comparison is not quite exact, because what I've called mist and cloud are not homogeneous.) Isolated impressions of the day have set off impulses within us, evoked associations; objects and circumstances have stayed in our memory, but with no sharply defined contours, incomplete, apparently fortuitous. Can these impressions of life be conveyed through fi...

Fevereiro em Filmes

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Acabo de me aperceber que esta é precisamente a centésima publicação neste espaço. Este mês traduziu-se como um dos melhores em termos de cinema. Fui bastante selectivo nas minhas escolhas e posso afirmar que não saí defraudado da maior parte destas obras.  Fevereiro foi o mês em que me debrucei mais uma vez na obra de Tarkovskiy. Visualizei os filmes que me faltavam na sua curta obra e estudei-os minuciosamente, de forma a entrar na sua mente e a perceber a linha condutora que se insinua na sua filmografia. Por esse mesmo motivo, grande parte do mês foi dispensado em redor do mestre russo. Foi também o mês em que dei os primeiros passos no mundo de Tsai Ming-liang. Fevereiro ficou marcado pela cerimónia dos Óscares e, por esse motivo, esforcei-me por manter as visualizações em dia no que aos nomeados dizia respeito. Desta selecção destaco principalmente os documentários, que me surpreenderam pela positiva. Este 2º mês de 2013 ficou conspurcado com um dos piores filmes que algum...

A persistência de uma chama

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[Spoilers] Ao escolher a cena representativa deste dia, apercebo-me de que o vento está de alguma forma a embrenhar-se constantemente nesta minha selecção. Depois de um saco de plástico a esvoaçar e de uma momentânea brisa num prado, esta última curiosamente do mesmo realizador, destaco a cena seguinte como uma das mais belas alguma vez filmadas na história da sétima arte. Pertence ao filme Nostalghia   (1983) do génio magistral Andrei Tarkovsky. Pessoalmente, é o meu filme preferido do realizador e esta sequência é apenas um exemplo da profundidade que a sua referida obra atinge. A persistência de um homem que quer concluir a tarefa de atravessar uma piscina drenada sem que a chama da vela que transporta se apague. O seu coração fraco dificulta-lhe a missão, acabando por resultar na sua morte. Tem a mente completamente envolvida na tarefa mas o seu próprio corpo enfraquecido apresenta-se como um obstáculo. O plano-sequência de cerca de 10 minutos é longo, o que resulta num certo ...

Vento

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Não há muito que se possa dizer acerca desta cena que não possa ser traduzido em sentimentos através da imagem. O plano pertence ao filme The Mirror (1975) do génio intemporal Andrei Tarkovsky. O vento adquire uma força excepcional e eleva a cena a um nível de beleza transcendente. Menos de um minuto de uma perfeição poucas vezes atingida.