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A morte como espectáculo (II)

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Chicago (2002), Rob Marshall

Multiplicidade

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Apesar de não ser um grande apreciador de  The Lady from Shanghai (1947), tenho que dar a mão à palmatória ao Sr. Welles por esta sequência do filme. 

O duelo

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Quão bom é fazer zapping por entre uma limitada escolha de quatro canais nacionais e deparar-me com este final que tanto adoro? Já me tinha esquecido que iria passar o Il Buono, il brutto, il cattivo (1966)  na RTP2 mas o que é certo é que mudei precisamente no momento certo, podendo assim rever estes 20 minutos finais. E meus amigos, o quão monumental é esta longa sequência. E que dizer daquela troca de olhares alimentada pela banda-sonora do Ennio Morricone? Simplesmente genial. Assim se constrói a tensão. Diga-se de passagem que os mortos aqui não têm qualquer descanso...

A morte como espectáculo

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[Spoilers] Aplausos que ele(a) vai entrar em cena. Os vizinhos ocupam os assentos nos seu devidos camarotes e aplaudem. Esta performance , que de teatral pouco se pinta, acaba por ser o derradeiro acto que encerra a peça.  Uma cena belíssima, com uma mise-en-scène que pisca o olho ao Rear Window (1954) do mestre do suspense. De ressalvar igualmente o trabalho de Sven Nykvist, que consegue iluminar o cenário de forma brilhante.  Le locataire (1976), Roman Polanski

A morte iminente

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[Spoilers] Wild Strawberries (1957) compreende uma das sequências mais belas da história do cinema. De acordo com Ingmar Bergman, este inspirou-se um pouco noutra obra de seu nome  The Phantom Carriage (1921) , curiosamente realizada por Victor Sjöström, o protagonista do filme aqui destacado. A cena referida destaca um dos sonhos tidos pelo protagonista naquilo que pensa ser o período terminal da sua vida. E este sonho reflecte muitos dos seu medos e funciona como um meio de antecipação da morte iminente que o parece chamar.  Sente-se perdido numa existência com muitas vias possíveis a tomar. O tempo é agora escasso e acaba por se tornar uma nulidade, tal como se observa no relógio sem ponteiros, o mesmo que me traz o senhor Dalí à memória.  Uma sequência com uma mise-en-scène e fotografia brilhantes. 

O rosto de Kubrick

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Esta é indubitavelmente uma das melhores cenas da história do cinema. Poucas vezes um filme se conseguiu catapultar com uma cena de abertura tão perfeita. Filmada a partir de um helicóptero que sobrevoava a área, a cena inicial de The Shining (1980)  acompanha o percurso de Jack Torrance (Jack Nicholson), ainda sem revelar esse rosto de protagonismo. O enquadramento apenas indica que naquele carro amarelo se encontra alguém importante e que o mesmo veículo o transporta a um determinado local de elevado destaque. O plano geral reduz a importância da personagem perante todo o cenário que o envolve.  Hoje visualizei o interessante documentário Room 237 (2012) e a aparente superficialidade desta sequência é apenas uma carapaça que não impediu historiadores e teóricos de procurarem o verdadeiro significado por detrás da mesma. Existe uma teoria quanto ao verdadeiro ponto de vista nesta sequência, fortemente apoiado pelo tema Dies Irae  que se faz ouvir durante a mesma. Apes...

A cordial saudação

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[Spoilers] Tantas sequências que merecem o seu devido destaque neste Mon Oncle (1958). Os filmes de Jacques Tati são como uma porta para um novo mundo, onde entramos e esquecemos as pré-concepções do nosso próprio mundo. Cada plano, por si só já genial, enquadra uma mise-en-scène  extremamente criativa e que espelha a própria sociedade. Sempre com uma pitada futurista, Tati oferece-nos uma disposição única no tempo e no espaço, nunca descurando as críticas que emergem à superfície. Tudo espelha um ambiente perfeito e um tanto ou quanto estranho aos olhos do espectador, este que está sempre com atenção aos mais ínfimos pormenores presentes na sua obra. Por alguma razão, sempre que penso no realizador, recordo-me desta pequena cena que tantas gargalhadas me arrancou perante o seu grau de ridicularidade.  A fonte a ser constantemente accionada de forma a caracterizar a importância dos convidados e a própria hipocrisia da anfitriã. É impressionante como através do uso de um ob...