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Abril em Filmes

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Abril ficou marcado pela visualização de uma catrefada de episódios. Séries novas ou simplesmente manter-me a par das que que perderam o gás. Acabei por não ver tantos filmes quanto o inicialmente planeado. Ainda assim, marquei presença em algumas sessões importantes da décima edição do Indie Lisboa.  Um debate sobre fotografia no cinema, no âmbito do festival, revelou-se pouco produtivo e desinteressante. Dei de caras com o mundo de Patrick Jolley, que ainda me assola à mente com a sua peculiaridade. Shirley - Visions of Reality e Leviathan foram agradáveis surpresas, sendo este último uma experiência única numa sala de cinema.  Fora do circuito do festival, debrucei-me mais aprofundadamente no cinema de Tsai Ming-liang, sem mais uma vez ficar desiludido.  Tenho como hábito eleger o melhor filme visualizado no período mensal. Este mês vejo-me bastante dividido nessa eleição. De um lado, Once Upon a Time in the West (1968) faz questão de se reavivar ...

A melodia dos pistoleiros

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Um olhar que aponta o rumo a tomar pela câmara. Outro que devolve a tensão sentida no ar. Olhares que tanto dizem na sua mais pura essência. Olhares que antecipam um instante que pode catapultar toda uma sucessão de acontecimentos. A câmara enquadra o pormenor quase indistinguível do alcançar da arma. Uma dúzia de dedos que se exigem tão cautelosos quanto rápidos. A antecipação mostra-se como um momento deveras crucial e nela reside a verdadeira prova do valor de cada um. Olhares que batalham nos meandros de um deserto árido. Um jogo entre close-ups  e planos gerais, que nos aproximam e distanciam de um momento quase íntimo. O barulho das cigarras a preencher a imensidão do vazio e os cavalos prontos a relinchar ao som das balas disparadas. E chega o dito instante. Aquele milésimo de segundo que já se encontrava em processo de germinação na mente do espectador. Tudo graças à extensa antecipação. Corpos caem e passam a ser não mais do que meros invólucros do vazio. Um tiro que...

A muleta da imagem (IV)

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Se há compositor que dispensa qualquer tipo de apresentações esse é o lendário Ennio Morricone. Detentor da mestria exibida na banda-sonora de Nuovo Cinema Paradiso (1988) , volta a fazer-me sentir arrepiado com as suas faixas sonoras no filme Once Upon a Time in the West (1968) . O tema que envolve a protagonista Jill (Claudia Cardinale) é de uma beleza incrível. O único ponto de vista feminino na obra de Sergio Leone espelhado de uma forma perfeita. Notas que roçam o irreal. Ennio Morricone deixa-me mais uma vez boquiaberto. 

O duelo

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Quão bom é fazer zapping por entre uma limitada escolha de quatro canais nacionais e deparar-me com este final que tanto adoro? Já me tinha esquecido que iria passar o Il Buono, il brutto, il cattivo (1966)  na RTP2 mas o que é certo é que mudei precisamente no momento certo, podendo assim rever estes 20 minutos finais. E meus amigos, o quão monumental é esta longa sequência. E que dizer daquela troca de olhares alimentada pela banda-sonora do Ennio Morricone? Simplesmente genial. Assim se constrói a tensão. Diga-se de passagem que os mortos aqui não têm qualquer descanso...