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A arte dos posters (XLVI)

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Poster alusivo a Offret (1986) , um dos melhores filmes do grandioso Andrei Tarkovsky. Foi igualmente o seu último filme, longe da terra natal que lhe caracterizara o início de carreira. E que belo testamento deixou aos aficcionados pela sétima arte. O poster russo reúne os vários elementos presentes no filme, nomeadamente a árvore, a casa e a mesa onde se desenrola. Destaca ainda os vários indivíduos e a solidão espelhada no corte. Simples? Sem dúvida. Ainda assim magnífico e consciente da semente do filme.

A vida nos subúrbios

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[Spoilers] Uma bela cena que preenche a história do cinema. Refiro-me à sequência de abertura de  Blue Velvet (1986), o filme simbólico e surrealista de David Lynch. Começa com uma leve transição entre os planos, revelando o ambiente vivido nos subúrbios. O slow-motion  é usado de forma a mistificar o local com a calma que lhe é inerente. Tudo aparenta ocupar um tempo e um espaço de forma perfeita, levando o espectador a idealizar o local. Segundos depois dos créditos iniciais dá-se a morte que catapulta a história. Em seguida a câmara ocupa um lugar mais sujo e degradante, ao embrenhar-se por entre a relva até aos limites do solo. Um corpo outrora vivo e a embelezar o cenário de Lynch não será mais do que alimento depois de enterrado. Um submundo sedento que aguarda o protagonista, o filho do homem que perde a vida nestes minutos iniciais. Por detrás da fachada perfeita dos subúrbios, encontra-se uma podridão prestes a ressurgir. A versão de Bobby Vinton da música ...

New York, N.Y. (1986)

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New York, N.Y. , curta-metragem realizada por Raymond Depardon, exerce em mim uma estranheza um pouco singular. Mas por outro lado, a forma como o travelling é executado fascina-me. Como se fosse um ser que vira as suas atenções naquela noite para a cidade de Nova Iorque. Entra na cidade, desce até ao chão, espreita os movimentos dos vários indivíduos mundanos e volta a subir para de seguida se recolher no seu canto. Um ponto de vista um pouco voyeurista , apesar de não entrar em nenhum compartimento onde se escondem mil e uma vidas. A ponte quase assume um papel de personagem, ao iniciar e encerrar o filme.  Podem ver a curta na íntegra a seguir: